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domingo, 7 de junho de 2015

Reação contra a criação das ilhas artificiais

Para Pequim, controle do mar da China é inegociável

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"Ninguém diz à China o que fazer". Num recado seco aos EUA, esta foi a manchete do jornal estatal "China Daily" no final de maio, em meio à recente escalada retórica em torno do mar do Sul da China. A reportagem do jornal, que como o restante da imprensa oficial dá voz aos humores de Pequim, continua com outra advertência: "Os EUA estão brincando com fogo".
Enquanto fortalece ano a ano sua capacidade militar, a mensagem de Pequim tem sido cada vez mais clara: seus direitos sobre o mar do Sul da China, onde outros cinco países disputam territórios, são inegociáveis.
Além de interesses estratégicos e econômicos, pois a região tem reservas de gás e petróleo e é a segunda rota marítima comercial mais movimentada do mundo, há o crescente nacionalismo estimulado pelo governo.
A disputa pelo mar "não envolve só questões legais, de evidências históricas e de soberania", diz Li Jianwei, diretora de pesquisa do Instituto Nacional de Estudos do Mar do Sul da China, ligado ao governo. "Há também o componente emocional."
O governo chinês considerou uma provocação o voo de patrulha feito pelos EUA no dia 20 de maio, perto de um dos recifes onde a China constrói uma pista de pouso, nas ilhas Spratly.
O voo levava uma equipe da rede de TV CNN, que reproduziu alertas da Marinha chinesa e captou imagens do trabalho para criar ilhas artificiais, com dragas puxando areia do fundo do mar para cobrir os recifes.
Após anos de desatenção à região, ocupado com o Oriente Médio, o governo dos EUA mantém o tom de confronto e diz que as patrulhas continuarão.
RISCO
Com a perspectiva de atividades militares na região, cresce o risco de confronto. O jornal "Global Times", porta-voz da linha-dura do Partido Comunista chinês, alertou que, se os EUA tentarem conter a China na região, a guerra será "inevitável".
Apesar da retórica, a maioria dos analistas considera o risco pequeno, sobretudo porque as duas potências tendem a evitar que a situação saia do controle.
"Continuaremos a ver escaramuças, sobretudo com atores não militares como guardas costeiras, mas não vejo potencial de conflito", diz Niklas Swanstrom, especialista em China e diretor do Instituto de Segurança e Desenvolvimento (Suécia).
Spratly, ou Nansha para os chineses, é um arquipélago com 250 formações rochosas desabitadas, entre recifes e ilhotas. Além da China, Filipinas, Vietnã e Malásia têm reivindicações territoriais no arquipélago.
Há anos a China afirma ter direitos sobre 90% do mar do Sul da China, com base em um mapa de 1947 do então governo republicano, que depois foi adotado pelo governo comunista.
Desde 2013, com a chegada ao poder de Xi Jinping, a política chinesa tornou-se mais "assertiva", afirmam analistas. Do discurso passou-se à ação, com a criação de ilhas artificiais.
O temor dos vizinhos e dos EUA é que a China controle o estreito de Malaca, caminho mais curto entre os produtores de petróleo do golfo Pérsico e da África e os consumidores asiáticos. O Brasil sofreria se houvesse interrupções no tráfego marítimo e nas exportações para a China, seu maior parceiro comercial.
Segundo o governo americano, os chineses teriam instalado peças de artilharia móvel nas ilhas artificias, mas Pequim disse desconhecer a informação. 
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/06/1638636-marinhas-de-5-paises-resgatam-mais-de-2000-imigrantes-no-mediterraneo.shtml

domingo, 19 de abril de 2015

Disputa Sino-Índia-Veja, outubro de 1962

Internacional
VEJA, outubro de 1962
Uma disputa de fronteiras desencadeia um conflito armado
entre os dois países mais populosos do planeta. Quais são os
verdadeiros perigos da nova guerra entre China e Índia?
O calvário dos combatentes: as batalhas são travadas na Cordilheira do Himalaia, sob temperaturas congelantes

A crise dos mísseis de Cuba não foi o único choque entre pesos-pesados da política internacional nas últimas semanas. Enquanto as atenções de quase todo o mundo se voltavam para Estados Unidos e União Soviética, outras duas nações importantes iniciavam um perigoso conflito armado na Ásia. Os gigantes envolvidos nessa disputa são nada menos que os dois países mais populosos do planeta: China e Índia. A luta ainda está no começo e o motivo da discórdia – uma disputa territorial – tem tudo para ser solucionado por vias diplomáticas. Quando se trata de uma guerra entre dois países de tamanha grandeza, porém, qualquer temor é justificável. Acredita-se que chineses e indianos chegarão a um acordo e acabarão com as hostilidades dentro de um prazo relativamente curto. Em caso de escalada do conflito, contudo, o mundo teria razão de sobra para entrar em pânico. Se resolvessem mobilizar suas gigantescas populações para o combate, China e Índia seriam capazes de protagonizar algumas das mais épicas batalhas da história. A briga ganha contornos ainda mais dramáticos quando se lembra do conturbado passado recente dos dois países – um se envolveu numa sangrenta guerra civil; o outro, numa duríssima campanha de independência – e quando se conhece o terreno do front. Os chineses e indianos combatem a alturas de quase 5.000 metros e sob temperaturas congelantes, fazendo da campanha um pesadelo de logística para os generais e um calvário insuportável para os combatentes.
Nehru com o Dalai Lama: olho no Tibete
Em jogo na guerra estão dois territórios montanhosos localizados na Cordilheira do Himalaia, na fronteira entre os vizinhos. A primeira porção de terra disputada é Aksai Chin, território de tamanho equivalente ao da Suíça, que a Índia afirma ser parte da Caxemira e a China garante fazer parte da região de Xinjiang. A outra área pleiteada por ambos é a região de Arunachal Pradesh, quase do tamanho da Áustria, chamada pelos chineses de Tibete do Sul. Em ambos os casos, o fato de chineses e indianos travarem uma guerra por seu controle causa espanto – as duas regiões são altíssimas e inóspitas, com poucos recursos naturais e escassos terrenos habitáveis. O que, então, levou os gigantes à guerra? Uma definição de fronteiras que há décadas provoca polêmicas é certamente o ponto de partida. No decorrer dos anos, a divisão nebulosa dos territórios proporcionou dezenas de pequenos incidentes e provocações. A fagulha que faltava era a situação do Tibete. Ocupado pela China desde 1950, o território seria objeto da cobiça da Índia. A versão ganhou mais força em Pequim em 1959, quando os indianos ofereceram abrigo ao líder espiritual tibetano, o Dalai Lama, que fugiu de Lhasa depois de um frustrado levante popular contra os chineses. Como as duas regiões em disputa na presente guerra são importantes para o domínio do Tibete, a chave para compreender o conflito está mesmo nesse pequeno e sagrado território.

Os primeiros conflitos armados na fronteira foram registrados em junho, quando um tiroteio matou dezenas de soldados chineses. Desde então, os dois exércitos se preparam para a guerra e trocam gestos hostis. O estopim do confronto foi uma ofensiva brutal dos chineses contra as tropas indianas estacionadas na área, no último dia 20. Depois de quatro dias de intensos combates – com algumas centenas de baixas em ambos os lados –, as forças de Pequim conquistaram um pedaço significativo da região. Foi quando o governo chinês ordenou que as tropas fincassem sua bandeira e parassem ali mesmo, suspendendo todas as operações militares e abrindo caminho para a negociação com o primeiro-ministro indiano, Jawaharlal Nehru. Numa carta enviada aos indianos, o premiê chinês, Zhou Enlai, propunha uma saída pacífica para a disputa, com os dois lados recuando vinte quilômetros cada em suas posições atuais. Esse acordo, é óbvio, favoreceria Pequim, que já tinha avançado quase 60 quilômetros em relação à divisa original – portanto, a China ganharia uma porção adicional do território. Até o fechamento da presente edição de VEJA, o impasse continuava, já que Nehru respondeu à carta de Zhou aceitando uma trégua apenas em caso de recuo às posições iniciais. Vista no Ocidente como mais um ato de agressão do bloco comunista – mesma percepção provocada pela crise dos mísseis de Cuba –, a contenda continua. Curiosamente, nenhum dos lados ainda declarou guerra oficialmente ou rompeu relações diplomáticas com o vizinho.

sábado, 11 de abril de 2015

China e Índia prometem superar disputas territoriais nas fronteiras

MUNDO

China e Índia prometem superar disputas territoriais nas fronteiras

Em Nova Déli, primeiro-ministro chinês diz que os dois países mais populosos do mundo precisam evitar tais desgastes para se tornarem motores da economia global. Acordos econômicos vão expandir comércio bilateral em 50%.
Os governos da Índia e da China concordaram em buscar uma solução pacífica para resolver uma questão que se arrasta há cinco décadas: a disputa por território em suas fronteiras. A declaração foi dada nesta segunda-feira (20/05) durante a visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, à Índia.
Segundo os dois países, enviados especiais de ambas as partes continuarão as negociações iniciadas agora "na busca por um acordo baseado em uma divisão justa, razoável e mutuamente aceitável", afirmou o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, logo após encontro com o colega chinês em Nova Déli.
O chefe do governo chinês destacou ainda que os dois países alcançaram um "consenso estratégico e aprofundaram uma confiança estratégica". "Ambos os lados concordam que precisamos melhorar os vários mecanismos relacionados às fronteiras e torná-los eficientes", declarou.
A visita de Li à Índia – a primeira viagem internacional do líder chinês desde que tomou posse, em março passado – ocorre duas semanas após 20 dias de tensão vividos entre soldados chineses e indianos em Ladakh, região de fronteira no extremo norte da Índia. Os indianos acusaram as tropas chinesas de terem avançado 19 quilômetros no seu território.
A disputa pelos limites territoriais – que envolvem grandes áreas em torno dos 4 mil quilômetros de fronteiras – é um legado da sangrenta guerra 1962 entre os países vizinhos. A Índia questiona o controle de Pequim sobre uma área de 43 mil quilômetros de terra improdutiva na Caxemira. Já a China disputa 90 mil quilômetros quadrados no estado de Arunachal Pradesh, nordeste da Índia, que afirma ser parte do sul do Tibet.
Primeiro-ministro chinês é recebido no palácio presidencial Rashtrapati Bhavan, em Nova Déli
Cooperação econômica
Li Keqiang e Manmohan Singh ainda assinaram oito acordos para ampliar os laços econômicos e de cooperação entre seus dois países. A meta acertada visa alcançar 100 bilhões de dólares em negócios bilaterais até 2015, mais de 50% que os atuais 66 bilhões de dólares. Eles também concordaram em reverter um déficit comercial para a Índia de 29 bilhões de dólares especialmente nas áreas de tecnologia de informação, farmacêutica e agricultura.
A China está entre os principais parceiros econômicos da Índia. Segundo o primeiro-ministro chinês, a decisão pela Índia como primeiro país a visitar após sua posse indica "a grande importância que Pequim atribui às relações entre os dois países".
Li disse ainda que os dois países mais populosos do mundo – juntos eles abrigam 40% da população mundial – podem se tornar um novo motor para a economia global se evitarem tais desgastes. Além de influência regional, China e Índia disputam também fontes de energia para promover suas economias em crescimento.
Programação internacional continua
Durante sua visita de três dias à Índia, Li vai se encontrar ainda com a presidente do partido no comando do Parlamento, Sonia Gandhi, e também com o líder do Partido do Povo Indiano (Bharatiya Janata), de oposição. Ele ainda vai a Mumbai, onde terá reuniões com empresários e discutirá acordos comerciais.
De lá, na quarta-feira, o primeiro-ministro chinês irá ao Paquistão e, em seguida, à Suíça. No próximo domingo ele vai a Berlim, onde será recebido pela chanceler federal alemã, Angela Merkel.
http://www.dw.de/china-e-%C3%ADndia-prometem-superar-disputas-territoriais-nas-fronteiras/a-16825337
Revisão: Roselaine Wandscheer
 (26.03.2013)  

sábado, 7 de março de 2015



China aumenta seu orçamento militar em 10,1% para 2015




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O aumento das despesas, divulgado oficialmente hoje pouco antes do discurso do primeiro-ministro Li Keqiang na ANP, é sensivelmente superior ao crescimento do PIB (em torno de 7%), assim como vem acontecendo nos últimos anos.

Esse aumento mantém a China como o segundo maior país do mundo em relação aos gastos com defesa, atrás apenas dos Estados Unidos. No entanto, trata-se do menor aumento dos cinco últimos anos.

No ano passado, a China incrementou seu orçamento de defesa em 12,2%, até 808,2 bilhões de iuanes (US$ 128 bilhões).

O esperado aumento já tinha sido antecipado ontem pela porta-voz da ANP, Fu Ying, que havia dito que os gastos em defesa seriam incrementados "em cerca de 10%".

De acordo com o orçamento de 2015, a China "deve reformar as Forças Armadas para que sejam mais revolucionárias e modernas", assim como para "salvaguardar a soberania, a segurança e a integridade territorial, e garantir o desenvolvimento pacífico".

O documento não oferece muitos detalhes sobre como serão utilizados os recursos do orçamento militar de 2015, mas indica que as Forças Armadas do país asiático, as maiores do mundo em número de efetivos, com mais de 2 milhões de soldados, "vão aumentar as pesquisas e o desenvolvimento de novos armamentos, de novas tecnologias".

Os gastos progressivos da China em defesa geram receios em países como EUA e Japão. Este último mantém crescentes conflitos territoriais e históricos com os chineses, que poderiam se agravar neste ano pela comemoração dos 70º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, na qual Pequim e Tóquio estavam em lados opostos.

A China adiantou esta semana que vai realizar um grande desfile militar em Pequim para comemorar essa data e que convidará líderes internacionais, um gesto que os observadores acreditam representar um novo desafio a Tóquio.

Até agora, o regime comunista só tinha realizado desfiles militares para comemorar certos aniversários da fundação da República Popular, o último deles foi em 2009, para o 60º aniversário desse acontecimento histórico. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

China constrói ilhas em águas disputadas no sul da Ásia

Por:  | 6/17/2014
A China está levando areia para recifes e bancos de areia para criar novas ilhas no arquipélago Spratly, no Mar da China, e ampliar sua influência na região. Segundo o jornal The New York Times, que consultou funcionários da diplomacia americana, será possível construir instalações e instalar equipamentos de vigilância nas ilhas, incluindo radares. Essas novas ilhas podem permitir à China reclamar uma exclusiva zona econômica a 200 milhas náuticas em cada uma, como definido em convenção internacional.

Segundo a reportagem, desde janeiro, a China trabalha na construção de três ou quatro ilhas, e ao menos uma delas teria instalações destinadas para uso militar. As ilhas também podem ser usadas para reabastecer navios, incluindo os de patrulha. O arquipélago Spratly contêm centenas de recifes, rochas, bancos de areia e pequenos atóis espalhados por mais de 414.000 metros quadrados. Seis países reclamam a área. A China e o Vietnã também competem pelas ilhas Paracel. As duas áreas têm peixe em abundância e algumas reservas de petróleo e gás.

A construção das ilhas pela China é motivo de preocupação para o Vietnã, as Filipinas e outras nações do sul da Ásia, que também reclamam a soberania do arquipélago. O governo filipino argumenta que a China ocupa apenas rochas e recifes e, portanto, não está qualificada para as zonas econômicas. “Ao criar a aparência de uma ilha, a China talvez esteja buscando reforçar o mérito de suas reivindicações”, disse ao NYT M. Taylor Fravel, cientista político do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Os Estados Unidos também estão preocupados. O secretário de Defesa Chuck Hagel repreendeu a China por suas movimentações durante uma conferência de segurança realizada em maio, em Cingapur
a. O governo chinês diz ter direito de construir nas ilhas Spratly por considerá-las seu território. “A China tem soberania inquestionável sobre as ilhas Nansha”, disse a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Hua Chunying, usando o nome do arquipélago em chinês. A China também alega que o Vietnã e as Filipinas construíram mais estruturas na região em disputa do que a China.

No entanto, analistas ponderam que qualquer estrutura existente foi erguida antes de 2002, quando a China e outras nove nações do sul da Ásia assinaram uma declaração de conduta no Mar do Sul da China. Um dos artigos prevê que as partes devem evitar ações que aumentem as tensões na região e se abster de ocupar qualquer território desabitado. O acordo não é obrigatório e não proíbe explicitamente a criação de novas ilhas, mas os especialistas afirmam que esses pontos estão implícitos.

Fontes consultadas pelo jornal americano afirmam que o recife Johnson South, do qual a China se apoderou em 1988 depois de matar cerca de setenta soldados vietnamitas em um confronto, é a mais desenvolvida das ilhas. “Agora é a ilha Johnson, não é mais o recife Johnson”, disse um oficial que não foi identificado. O governo filipino divulgou imagens aéreas do local no mês passado.
http://www.dihitt.com/barra/china-constroi-ilhas-em-aguas-disputadas-no-sul-da-asia

sexta-feira, 20 de junho de 2014


Japão condena manobras militares da Coreia do Sul em ilhas disputadas

De Tóquio



O governo do Japão condenou nesta sexta-feira (20) as manobras militares feitas pela Coreia do Sul, com munição real, nas ilhas Takeshima (Dokdo, em coreano), cuja soberania é disputada por Tóquio e Seul.

"Estes exercícios são lamentáveis. A postura do Japão é que Takeshima é nosso território e por isso não podemos tolerá-los", disse em declarações divulgadas pela emissora pública "NHK" o ministro das Relações Exteriores japonês, Fumio Kishida, após o início das manobras.

Seul comunicou a Tóquio no último dia 11 que realizaria os exercícios em uma zona marítima ao sudoeste do arquipélago disputado, uma porção que também é reivindicada pelo Japão como parte de seus mares territoriais.

A Marinha e a Guarda Costeira sul-coreana realizaram nos últimos anos vários exercícios perto das ilhotas, administradas na prática por Seul, mas nunca com a utilização de munição real.

Nesta quinta-feira (19), o ministro porta-voz do Japão, Yoshihide Suga, pediu às autoridades do país vizinho que cancelassem as manobras, solicitação que foi desprezada pelo Ministério da Defesa sul-coreano.

"Os exercícios militares para a defesa da República de Coreia (nome oficial da Coreia do Sul) não estão sujeitos a nenhuma reivindicação ou interferência externa, por isso as manobras já estão sendo realizadas conforme o previsto", explicou Wi Yong Seop, porta-voz do Ministério da Defesa, em entrevista à agência japonesa de notícias "Kyodo".

Wi também insistiu que são manobras ordinárias com fogo real e que as reivindicações territoriais japonesas não têm base.

Ilhas têm 0,2 quilômetro quadrado e dois habitantes

As duas ilhotas e 35 rochedos que compõem os Rochedos de Liancourt (nome geográfico de Takeshima/Dokdo) estão no Mar do Japão, em um ponto intermediário a pouco mais de 200 quilômetros da ilha principal do arquipélago japonês e da península coreana.

O território total do conjunto de ilhotas e rochedos é de apenas 0,2 quilômetro quadrado e dois idosos sul-coreanos são os únicos habitantes do arquipélago. Os dois são protegidos por um destacamento da Guarda Costeira destinado ali por Seul desde 1954.

A disputa diplomática entre a Coreia do Sul e o Japão se agravou em 2012 por causa da visita, sem precedentes, feita pelo então presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, às ilhas.
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2014/06/20/japao-condena-manobras-militares-da-coreia-do-sul-em-ilhas-disputadas.htm

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Turquia terá de pagar multa milionária por invadir o Chipre

Corte Europeia de Direitos Humanos diz que valor de 90 milhões de euros será usado para compensar vítimas da ação militar que dividiu o país nos anos 1970

Jean-Philip Struck 12/05/2014
Fronteira entre o Chipre e o território controlado pela Turquia
Fronteira entre o Chipre e o território controlado pela Turquia (Getty)
A Turquia foi condenada pela Corte Europeia de Direitos Humanos a pagar 90 milhões de euros (cerca de 270 milhões de reais) por danos causados pela invasão militar ao Chipre em 1974. Segundo a corte, o valor será usado para compensar as vítimas da ação e da posterior partilha do país. Até hoje o país permanece dividido. O governo cipriota controla uma área maior e mais populosa ao sul, enquanto o norte é administrado por um governo só reconhecido pela Turquia.
Na decisão desta segunda-feira, a Corte considerou que a Turquia ainda poderia ser punida, quase 40 anos após a invasão. Decidiu ainda que 30 milhões de euros serão distribuídos a familiares de pessoas que desapareceram durante a ação militar - seriam mais de 1.600 desaparecidos, segundo uma ONG cipriota -, enquanto outros 60 milhões serão entregues a grego-cipriotas que ainda vivem em Karpas, uma península no norte administrado pelos turcos.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Chipre, os habitantes são alvo constante de humilhações e violência por parte das autoridades locais. A população local de gregos-cipriotas que contava mais de 20 000 pessoas antes da invasão caiu para pouco mais de 400 pessoas no começo dos anos 2000.
A multa chega em um momento de retomada das conversas para tentar unificar a ilha. Em fevereiro, após quase dois anos, as lideranças das duas comunidades retomaram discussões formais mediadas pela ONU.  
Histórico - O norte do Chipre foi invadido na sequência de um golpe militar na ilha apoiado pela Grécia. Com o pretexto de proteger a população de origem turca que vivia no norte da ilha, a Turquia invadiu o território. Nos meses seguintes, centenas de milhares de pessoas foram obrigadas a deixar seus lares. 
As Nações Unidas estimam que mais de 160.000 gregos-cipriotas foram expulsos do norte e se dirigiram para o sul. O movimento inverso também aconteceu, e 45.000 turcos-cipriotas foram expulsos da área controlada pelo governo do Chipre. 

Nos últimos anos a relação entre os dois territórios melhorou. Alguns postos de fronteira foram abertos, o que permitiu a vários turco-cipriotas obter documentos e passaportes do Chipre, que faz parte da União Europeia. Ainda assim, a Turquia ainda mantém cerca de 30.000 soldados em sua área de influência.

República Turca do Norte do Chipre